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No mundo amazônico a Igreja Católica é Mãe
08 Luglio 2019

Por Frei Luis Felipe Marques, OFMConv - Frei Antonio Junior, OFMConv

O que vemos? Uma criança indígena, negra ou branca? Parece-nos uma mescla! Seus olhos amendoados, recorda de imediato as diversas etnias indígenas que abitam as florestas, seus lábios volumosos, a nós, remete os salientes lábios negros, recebidos dos nossos antepassados africanos, sua pele levemente esbranquiçada, lembra os lusos, o homem-branco. Será que isto forma identidade? Talvez, seja esta a identidade. A identidade brasileira, a miscigenação, até mesmo na Amazônia-brasileira o Brasil é Brasil! Mas, não sejamos utópicos em demasia, o Brasil são brasis. Límpidos e originais.

Aqui, tentar-se-á dizer, mesmo que em leve balbuciar, um pouco da Amazônia-brasileira: sua identidade, a nível social e cultural... esforçar-nos-emos ao máximo, para em poucas páginas apresentar uma pequena centelha do que seja esse fenômeno da natureza. Para tanto, nos cabe alguns questionamentos: o que há sob as gigantescas e milenares árvores? Que vida vive sobre as imensas vastidões de águas escuras e barrentas dos grandes rios? Quem é esse povo? Que povo é esse? E a Igreja, quem é, o que é? Onde ela está?

Mas, antes de adentrar as possíveis respostas a tais questionamentos, cabe-nos relatar, mesmo que brevemente, nossa experiência pessoal em meio a vida amazônica. Quando se fala em Amazônia, ousaríamos dizer que deveríamos estar falando de um continente do globo terrestre! Sim, um continente!  De modo geral um continente seria uma grande massa terrestre cercado por água. Para ratificar tal asseveração, apenas poderíamos dizer que a Amazônia é banhada tanto pelo Oceano Pacífico, quanto pelo Atlântico. Sem deixar de salientar que 20% da água doce do mundo está concentrada nas bacias hidrográficas dos rios amazônicos. Outras propriedades que caracterizam um continente são seus elementos históricos, políticos e culturais.

Quanto a tais características, poderíamos escrever dezenas de páginas para poder abarcar cada um desses aspectos. Em breves palavras: os povos originários povoam essas terras a milênios, suas aldeias e povoados embrenhados na floresta e ao longo das gigantescas margens dos rios davam, e em muitos lugares da Amazônia, ainda dão a contribuição humana à vida da floresta. Cada povo, com sua estrutura política própria... Além dos povos originários, é possível encontrar outros tipos de estruturas políticas entre os ribeirinhos, e ainda a estrutura política tipicamente ocidental entre os povos urbanos, dos grandes centros amazônicos. Quanto a cultura, é até difícil falar sobre. A pluriculturalidade é tamanha que talvez não possamos mensurar, sem deixar de falar que são povos multiétinicos e plurirreligiosos. Mas, o que esses povos têm a haver com a Igreja? Segundo o documento de Santo Domingo: a “abertura à ação de Deus pelos frutos da terra, o caráter sagrado da vida humana, a valorização da família, o sentido de solidariedade e a co-responsabilidade no trabalho comum, a importância do cultual, a crença em uma vida ultra-terrena” (Santo Domingo, 245).

Após contemplar esta simples imagem, retornemos aos nossos questionamentos norteadores. Sob as imensas árvores milenares, existe uma quantidade de vida imensurável. A fauna e flora existente nessas terras é algo de extraordinário e sublime. Aqui se pode encontrar enorme diversidade de felinos, roedores, aves (as quais contam aproximadamente 1.300 espécies catalogadas), quelônios e primatas, em relação a vida aquática, aqui existe a maior diversidade de peixes do mundo: aproximadamente 2.500 e 3. 000 espécies de peixes. Em relação a flora, a Amazônia inteira tem aproximadamente 7 milhões e meio de quilômetros, sendo que aproximadamente 5 milhões estão no território brasileiro.

No interior da floresta existem inúmeras espécies comestíveis, oleaginosas, medicinais e corantes. E em meio a tudo isso vale salientar que 30 mil, das 100 mil espécies vegetais da América Latina, estão no bioma amazônico. Mas, em que isto nos ajuda? “Nunca é demais insistir que tudo está interligado. O tempo e o espaço não são independentes entre si; nem os próprios átomos ou as partículas subatômicas se podem considerar separadamente. Assim como os vários componentes do planeta – físicos, químicos e biológicos – estão relacionados entre si, assim também as espécies vivas formam uma trama que nunca acabaremos de individuar e compreender” (Laudato si’, 138).

A beleza da Amazônia não se limita a sua fauna e flora, no interior dessas gigantescas árvores, existem inúmeras civilizações. Em primeiro lugar se destaca os povos originários. São aproximadamente 390 povos. Sim, quase 400 expressões de cultura, língua, religião, política, experiências humanas diferentes. São povos! Cada qual com suas marcas próprias e singulares.  Sendo que aproximadamente 140 desses povos, são considerados povos livres, ou seja, povos que vivem em situação de isolamento das demais culturas humanas. Mas, existe um dado preocupante: “a sociedade tende a menosprezá-los, desconhecendo o porquê de suas diferenças. Sua situação social está marcada pela exclusão e pela pobreza” (Documento de Aparecida, 89).

A eles estão bem próximos os ribeirinhos. Estes são muito chagados, também, pelos estigmas sociais. Homens, mulheres e crianças esquecidos pela sociedade. Os ribeirinhos são, aqueles que vivem às margens dos rios amazônicos, não em grandes cidades, mas em pequenas comunidades, as quais vivem também do rio e da floresta. Não como os povos originários, mas em uma realidade muito parecida. Estas pequenas comunidades, reúnem pequenas quantidades de famílias, normalmente dos antigos colonos que partiram das demais regiões do Brasil para trabalhar no ciclo da borracha, do ferro e das demais demandas da região.

A grande maioria destas família tem origem no nordeste brasileiro. Consigo trouxeram seus costumes e religiosidade. Em uma expressiva quantidade de comunidades ribeirinhas é possível encontrar a fiel devoção a São Francisco das Chagas. O padroeiro de uma expressiva cidade do estado do Ceará, no nordeste brasileiro.

Mas, podemos ainda encontrar em meio a esse amalgama de povos, os moradores das áreas rurais: as ditas “comunidades da estrada”. Essas são comunidades, que geralmente fazem parte das cidades, no entanto, estão a tamanhas distâncias que não possuem “assistência”, nem acesso a vida na cidade. Nelas, o povo vive basicamente da agricultura, precisam fazer longas viagens para chegar aos centros urbanos, lá se reabastecem, do pouco necessário e retornam a suas vidas.

Falando das “comunidades da estrada”, podemos, sem embargo, começar a adentrar às problemáticas da nossa segunda questão: “Que vida vive sobre as imensas vastidões de águas escuras e barrentas dos grandes rios?”.
Não são como as comunidades ribeiras, as quais constroem suas casas também de madeira, mas em áreas afastadas das margens do rio, pois sabem da iminente possibilidade das grandes cheias. No entanto as palafitas, são construções mais “irregulares”, nelas, vivem os mais pobres, os esquecidos, os abandonados, das grandes cidades amazônicas.

Mas não só, sobre os rios vivem também os pescadores; homens, geralmente, que passam dias nas pescarias a procura de peixes para matar sua fome, e também para vender. E além destes os moradores das cidades flutuantes. A capacidade de se reinventar do ser humano é tamanha, que os povos amazônicos descobriram que podem viver até sobre as águas. Ou em agrupamentos de casas, construídas sobre gigantescas torras de árvores, ou em casas individuais mais afastadas de outras comunidades. As chamadas “cidades flutuantes”, abrigam inúmeras pessoas nos rios amazônicos. Nestes ambientes existem escolas, mercados, igrejas, dentre tantas outras coisas, para suprir as necessidades de seus moradores.

A floresta, representada nas torras submersas, e o rio, este que nele mesmo já revela tudo. Tanto sua fúria e violência, quando sua ternura e gratuidade, em ofertar o alimento necessário para que o homem tenha vida. Neste momento de profunda integralidade, entre criação o não racional e homem (criação racional), caminhamos para nosso último questionamento, que na verdade une vários questionamentos, mas que se olharmos mais atentamente, os vários questionamentos nos levam a uma simples questão: quem é esse povo, diante da Igreja?

“A Igreja, ao se encontrar com estes povos nativos, desde o princípio tratou de acompanha-los na luta pela própria sobrevivência, ensinando-lhes o caminho de Cristo Salvador, a partir da injusta situação de povos vencidos, invadidos e tratados como escravos” (Santo Domingo, 245).

A Igreja é Mãe! Sim, no mundo amazônico a Igreja Católica é Mãe.

Existe um fator que vale ressaltar aqui, é justamente o trabalho dos protestantes. Estão chegando em grande número para o seu serviço de evangelização às margens de muitos rios amazônicos. Mas cito esse fato para trazer a baila uma frase de inúmeros ribeiros, a qual mexe como nosso íntimo de ministros no Senhor constantemente: “Padre, eu nunca vou deixar a fé católica!”.

Frase tão curta, mas cheia de vida e significado. Esta frase traz consigo todo o trabalho e doação de milhares de missionários que já doaram e continuam a doar suas vidas pelo serviço da evangelização nas terras amazônicas.

Todo esse percurso traçado, não vai nos dizer o que a Amazônia é ou será, apenas nos ajudará a olhar para ela como partes integrantes desta vida vivida lá. O “Pulmão do Mundo”, é de responsabilidade de todos nós. De modo especial nós, que nos dizemos enviados de Jesus. Os povos do “continente amazônico”, precisa do restante do planeta para continuar existindo. Precisamos voltar nossos olhos a Amazônia enquanto ainda nos resta tempo. Precisamos cuidar para que este sínodo ajude a mudar o modo como nós, enquanto Igreja, vemos e julgamos o mundo abaixo das gigantescas árvores e acima dos imensos rios. E para encerrarmos nos atentemos a este singelo poema de um jovem frade, que ao desfrutar da graça de ter estado na doce e desafiadora Amazônia se encantou e deixou-se inspirar:


Deus (por Frei Antonio Junior, OFMConv)

Eu vi Deus e não morri!
Caminhei em lugar sagrado calçado!
Pronunciei o nome D’ele sem perceber.
Escutei Ele, falando baixo.

Deus era acanhado, morria de medo de mosquito
Vivia coberto, só se via seus olhos
Quando não, estava cheio de pintas;
Todo marcado!

La na beira, assava seu peixe,
Olhava o horizonte e se contentava com pouco;
Adorava o sagrado banho no igarapé,
Pulava que nem menino!

Ele, era simples, tímido, morria de medo,
Das vacinas!
Deus não gosta de vacina, dói!

Gostava, e muito, de bombom; isso sim!
Deus adora bombom!
E fazendo sua farinha, permanece em paz.
Sereno e tranquilo vai brincando de ser gente...
Em meio aos homens; estes que
Por vezes não percebem que Deus está no Meio deles.




fonte: Seraphicum Press Office